31.10.2019 08h45mn
No ponto do nevoeiro
No nevoeiro do bairro operário, onde as fachadas das casas não são para preservar, uma máquina sinistra vai destelhando uns "ocupas" ali a tentar morar. Chamava-se do Leal e já foi um bairro tal com centenas de pessoas, talvez mesmo um milhar - gente que foi deslocada dali para outro lugar. Dava para a Bonjardim e parece que 'inda dá. Dizem que vai renascer numa grande superficie. Talvez mesmo num hotel, que o Turismo está a dar. Assim envelhece o Porto. Morto ponto, Porto ponto. Ponto com e ponto org, ou pior, ponto pt.
30.10.2019 12h12mn
Numa folha de estatísticas
Hoje recebi uma advertência por escrito da delegação do Centro de Emprego onde estou inscrito por uma falta injustificada a uma reunião para a qual não deveria ter sido convocado, conforme fui alertar aqueles serviços antes da realização da referida reunião. Na advertência escrita, lembram-me que um segundo incumprimento injustificado aos meus deveres perante o Instituto de Emprego e Formação Profissional determinará, entre outros castigos, a cessação do direito às prestações de desemprego, benefício que, no meu caso, terminou há mais de meio ano. A meio ano de atingir a idade para a reforma sem penalizações (66 anos e 5 meses), fui convocado para uma reunião que iria perspectivar uma potencial formação profissional, reunião igual a uma outra, antes realizada, à qual compareci para apenas entregar, como solicitado, currículo e comprovativo de habilitações, documentos de novo requeridos para a reunião que, agora, gerou a advertência recebida. Como desempregado, sou apenas um número potencialmente útil para certas estatísticas.
29.10.2019 12h30mn
No mais e no menos
Agora tenho mais tempo
- até para a Poesia.
Mas vivo mais assustado
do que o gato abandonado
que trouxeram noutro dia.
Vivo bem mais assustado
e muito menos mimado.
Júlio Roldão
29.10. 2019
28.10.2019 22h41mn
Nos corredores da morte
Vagueio, desde ontem, por vários corredores onde, virtualmente, estou morto. Na verdade, já morri embora haja quem pense que ainda estou vivo. Foi ontem, definitivamente. Mas, como é sabido, os humanos resistem e demoram eternidades a morrer. Para desespero de alguns, às vezes dos próprios. Hoje, por exemplo, numa dessas fugas pelos corredores da morte, comprei um catálogo (20 páginas) de uma exposição que o escultor Alberto Carneiro levou, em 1993, à portuense Galeria Pedro Oliveira, então já no n.º 3 da Calçada de Monchique. O catálogo, que, à época seria oferecido, custou-me, ontem, num alfarrabista, cinco euros, ou seja mil escudos na moeda vigente em 1993.
28.10.2019 11h16mn
Na Estrada Nacional n.º 2
Isto está muito pesado. O meu castelo, abusiva e ilegitimamente ocupado, é agora, para mim, um transitório lugar de exílio. De momento, sou apenas empurrado para os cantos mas a ameaça velada de uma violenta expulsão faz-se sentir. Eis o mote para o primeiro primeiro dia do resto da minha vida.
18.09.2019 11h47mn
No 80º aniversário de Jorge Sampaio
No meu meu mural do Facebook publiquei ontem uma imagem captada em Julho de 1999 durante a visita do presidente Jorge Sampaio, que hoje completa 80 anos, ao Arquipélago dos Açores. Acompanhei, como jornalista, esta viagem do presidente Sampaio e hoje posso dizer que proporcionou-me uma das mais agradáveis reportagens de todas quantas assinei, durante 28 anos, no Jornal de Notícias. Nesta imagem do arquivo da Presidência da República (Código de referência PT/PR/AHPR/GB/GB0202/GB020202/4608/003), identifico o aniversariante, o juiz conselheiro jubilado Alberto Sampaio da Nóvoa, então Ministro da República na Região Autónoma dos Açores, a então jornalista Carmo Rodeia, de óculos escuros, e eu, de bigode, suspensórios e colete.
17.09.2019 11h47mn
No equinócio do Outono
Com aquelas cores quentes ainda a cheirar a Verão e a terra molhada quando chove.
30.06.2019 06h00mn
No Verão de vinte dezanove
Primo do Pinóquio, eu só quero ser feliz - talvez ser amado. Vinte dezanove. No Verão faz sol e chove.
14.04.2019 09h35mn
Na minha cidade mediática
Na minha cidade mediática, os jornais em papel, mesmo aqueles que são impressos a uma única cor, ganham novas vidas, outros brilhos e servem para embrulhar a vontade de conhecer novas ruas, encontros e reconhecimentos inesperados.
13.04.2019 12h21mn
Num recorte de jornal
Num recorte de jornal, inspirado num diário de viagem de Armelle Bourgeault, tento criar um recanto de uma cidade mediática. Com aguarelas Viviva, da Viviva Colorsheets, e gel preto da Caran d'Ache. O efeito é encorajador.