Skip to content

Roldeck.

Júlio Roldão

29.10.2026 06h00mn

No jornal AltoMinho

Mata Bicho
Júlio Roldão

(crónica a publicar no jornal "AltoMinho" de 29 de Outubro de 2026)

Minha tenda, meu amor

Pelas duas da madrugada, na hora em que a hora andou uma hora para trás, os cães ladraram tanto que o retrocesso da mudança da hora não foi de sessenta minutos, foi de sessenta anos.
Açaimados e talvez até esfomeados para pavlovianamente esperarem uma dose de ração após o trabalho que lhes está destinado enquanto cães polícias, estes cães rasgavam, ladrando, a esperança que florescia, em Portugal, na madrugada do domingo passado.
Do outro lado da praça, a gente sem casa resistia resignada e ordeiramente de pé, ou até sentada no chão de calçadas portuguesas que os zelosos serviços municipais de limpeza tinham de limpar àquela hora em que a hora tinha de mudar.
Havia umas tendas - muitas de cor verde que é a cor da esperança - e umas frases pintadas nuns cartazes a dizer “Minha Tenda, Meu Amor”, mas sem aquelas rimas e métricas poéticas que as autoridades apreciam.
O verso “Minha Tenda, Meu Amor" faz lembrar o programa de habitação pública que o governo brasileiro de Lula da Silva criou em 2009 - “Minha Casa, Minha Vida”. Um programa que também contribuiu para que muitos milhares de brasileiros passassem da base para o meio da pirâmide social, beneficiando de confortos típicos da classe média, incluindo o do acesso à propriedade da casa, digna, que todos querem habitar.
No Brasil como em Portugal onde estava, até há dias, escondida a enorme dimensão dos dramas da população residente que não consegue aceder a uma casa para habitar nas condições mínimas de habitação.
Temas quentes numas eleições presidenciais como as recentes do Brasil ou no despertar de uma Primavera como a que nasceu, em Portugal, entre as tendas verdes que foram montadas para reclamar habitação digna.
Fosse eu poeta, em vez de cronista, e talvez arriscasse escrever, mais em redondilhas maiores do que em prosa corrida, “Minha tenda meu amor / meu único lar possível / neste país amador / onde ser trabalhador / nem sempre garante casa / nem respeito, não senhor”.

/

25.10.2026 02h00mn

No último domingo de Outubro

24.10.2026 22h13mn

Nos mares do Norte

No mar mareada,

há uma baleia branca

tão mal desenhada.

24.10.2026 20h04mn

Na minha tenda

Minha tenda é o meu lar

15.05.2026 21h37mn

No sonho das novelas gráficas

06.05.2026 17h55mn

na Inbicta II

Dia sim, dia não.

04.05.2026 18h00mn

Na Inbicta

Assinando o ponto.

(imagem autorizada pelos fotografados)

28.02.2026 15h55mn

Na farda adequada

Há um ano, precisamente a 28 de Fevereiro de 2025, o presidente e o vice-presidente dos EUA receberam, na Casa Branca, o presidente da Ucrânia, numa sessão aberta à Imprensa onde os anfitriões não se coibiram de humilhar o visitante, acusando-o de ser ingrato para com os Estados Unidos e de não querer a paz. Nesse encontro, um jornalista quis saber a razão pela qual o presidente da Ucrânia aparecia sem vestir um fato, supostamente mais adequado ao local. Hoje, dia 28 de Fevereiro de 2026, o presidente dos Estados Unidos anunciou aos americanos, através de uma rede social, as razões do ataque desencadeado contra o Irão, apresentando-se de fato, sem gravata e com um boné branco com as letras USA.

05.02.2026 14h21mn

Na depressão chamada Leonardo

Sozinho em casa, como aquele menino do filme homónimo, a ouvir rádio, voz amiga que é sempre a última a calar-se e só quando já não é possível falar. Num receptor que também pode funcionar com energia solar ou energia gerada num dínamo accionado à manivela.

01.10.2025 11h38mn

Nas redes sociais II

[Soneto deficiente]


Lá na Internet,
mas também nos Parlamentos,
gente cuja formação
inclui a facilidade
de fazer gestos à mão
da maior vulgaridade,
a par de outras grosserias,
lá na Internet,
mas também nos Parlamentos,
há gente que se promove
bolsando a espuma dos dias.
E que por igual destrata
gente muito mais letrada,
gente culta e educada.

01 |10 |2025
Júlio Roldão