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Roldeck.

Júlio Roldão

07.01.2021 08h57mn

Na fronteira do nada

Sem grande coragem,

iniciei a descida

à terra do nada.

Júlio Roldão

06.01.2021 16h31mn

Neste dia de Reis

06.01.2021 05h30mn

No primeiro ano de solidão

05.01.2021 13h50mn

No meu diário de velho

01.09.2020 01h49mn

No norte de Itália

Nasceu, é rapaz e chama-se Leo.

Como DiCaprio ou como Da Vinci.

O nosso Leonardo de Veneto.

03.07.2020 15h46mn

Num caderno com décadas

Num caderno com quase quatro décadas, encontrei o manuscrito de uma quadra dos anos 80 - Eu queria ser ladrão // ser apanhado a roubar // ser preso nessa prisão // que dá para o teu solar. Foi escrito num exemplar de O Livro em Branco, uma edição das Publicações Europa-América para escritores, jornalistas, artistas, actores, políticos, amantes, poetas, técnicos, estudantes, desenhadores, turistas, decoradores, engenheiros, homens de negócios, viajantes, secretárias... Uma edição para oferecer e para todos aqueles que sempre desejaram escrever um livro.

27.06.2020 10h37mn

Na memória da Estação de São Bento

A estação ferroviária mais próxima do sítio onde nasci (Hospital da Ordem do Terço) é a portuense Estação de São Bento. Esta magnífica e famosa estação de comboios, cujo átrio - aqui recriado sobre um rótulo de um vinho - é um imenso salão nobre ricamente decorado, esta estação pode ser o ponto de partida dessa viagem iniciada a 20 de Dezembro de 1953. Daqui, olhando-lhe o teto trabalhado, segui primeiro para Norte, mais no sentido do Douro do que no sentido do Minho.

01.06.2020 20h15mn

Num marcador de livros

Num marcador de livros que sonhava ser livro, o velho que aguarelava desenhos a lápis também escrevia cartas em papel timbrado de hotéis antigos. Vícios.

30.05.2020 18h00mn

Numa página do AltoMinho

Vou pintar auto-retratos // em folhas de jornais velhos. // Já vi um assim, // do Malangatana. // Se a memória não me falha, // em folhas de "A Bola", antigas. // Amarelecidas. // Em pinto no "AltoMinho".

Júlio Roldão

25.05.2020 19h36mn

No alto mar a ancorar

Eu quero ancorar // a ver onde isto vai dar // mas em alto mar. // Não vá Belzebu tecê-las // a mim e às minhas velas. // // Eu quero ancorar // onde a minha liberdade // não se esgote na saudade // de tantas vidas passadas... // Quero vidas por passar. //