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Roldeck.

Júlio Roldão

27.06.2020 10h37mn

Na memória da Estação de São Bento

A estação ferroviária mais próxima do sítio onde nasci (Hospital da Ordem do Terço) é a portuense Estação de São Bento. Esta magnífica e famosa estação de comboios, cujo átrio - aqui recriado sobre um rótulo de um vinho - é um imenso salão nobre ricamente decorado, esta estação pode ser o ponto de partida dessa viagem iniciada a 20 de Dezembro de 1953. Daqui, olhando-lhe o teto trabalhado, segui primeiro para Norte, mais no sentido do Douro do que no sentido do Minho.

01.06.2020 20h15mn

Num marcador de livros

Num marcador de livros que sonhava ser livro, o velho que aguarelava desenhos a lápis também escrevia cartas em papel timbrado de hotéis antigos. Vícios.

30.05.2020 18h00mn

Numa página do AltoMinho

Vou pintar auto-retratos // em folhas de jornais velhos. // Já vi um assim, // do Malangatana. // Se a memória não me falha, // em folhas de "A Bola", antigas. // Amarelecidas. // Em pinto no "AltoMinho".

Júlio Roldão

25.05.2020 19h36mn

No alto mar a ancorar

Eu quero ancorar // a ver onde isto vai dar // mas em alto mar. // Não vá Belzebu tecê-las // a mim e às minhas velas. // // Eu quero ancorar // onde a minha liberdade // não se esgote na saudade // de tantas vidas passadas... // Quero vidas por passar. //

28.04.2020 21h21mn

Na pandemia do novo coronavirus

Cumprindo o recolhimento domiciliário que o Estado de Emergência em curso em Portugal determina para combater a pandemia do vírus que provoca a Covid-19, disperso-me em projectos literários diversos, um dos quais é o velho sonho de escrever e desenhar uma novela gráfica. Já comecei. Não sei é quando a vou acabar... Na primeira publicação digo que é irónico que agora viva perto do Jornal de Notícias. Agora que o jornal, há alguns anos, me mandou para casa - não foi a pandemia do novo coronavirus que inventou os confinamentos.

20.11.2019 18h00mn

No Auditório do Jornal de Notícias

Hoje fui apresentar o livro do Hélder Bastos “Crónicas de Fim de Século “. Faz precisamente 20 anos que ele publicou a última destas crónicas, um espaço de reflexão sobre as mudanças no jornalismo numa série de textos saídos regularmente no Jornal de Notícias, entre 1994 e 1999, na secção do Nacional então editada por mim, agora também reunidos em livro numa edição da Afrontamento. São textos de uma actualidade preocupante, como quis sublinhar numa apresentação muito emotiva por ter sido proferida no Auditório do JN, um lugar cheio de memórias de plenários de jornalistas e de plenários gerais de trabalhadores. Um lugar cheio de memórias das festas de Natal do JN, quando o jornal celebrava o Natal oferecendo prendas aos filhos dos trabalhadores. Tudo isto foi recordado nesta apresentação, evento que pode muito bem vir a ser o último a realizar-se naquele Auditório considerando o já anunciado destino das instalações do jornal - um hotel cinco estrelas.

07.11.2019 15h30mn

Na edição em papel do Trevim

Saiu hoje, no quinzenário Trevim, um jornal que ainda tem edição em papel, uma crónica de minha autoria. Já não me via assim publicado, preto no branco, em papel, há muito tempo. Aqui deixo os meus sinceros agradecimentos ao José Orlando, que foi quem mediou a publicação desta crónica, e a própria crónica.
JR

"Toca Outra Vez, Sam"

O Dr. Manuel Louzã Henriques cultivava a arte dos melhores colecionadores e colecionava ferramentas tão belas como os arados de lavrar a terra ou algumas máquinas de escrever. Também reunia instrumentos musicais como concertinas e outras sanfonas e até era o dono de um raro piano de estudo que guardava a entrada do bar Clepsidra, em Coimbra, piano velho ali a servir de encosto aos corpos meio cansados de quem bebia um último copo quando os olhos ficavam mais pequenos a medir desejos.

Aceito que haja quem duvide da existência desse piano, considerando, na feliz expressão de Milton Hatoum, a memória e a imaginação irmãs gémeas. Para Milton Hatoum “a memória, mais do que a realidade, é a revelação de um assombro, de uma admiração, de algo que se torna um mito”. Talvez esse piano de estudo tenha sido isto e ainda as músicas que nunca tocou - “play It again, Sam”, toca outra vez “you must remember this // a kiss is still a kiss // a sigh is just a sigh”. Casablanca, "As Time Goes By" *

Se de repente, ao segundo gin-tónico, eu e todos os meus amigos que nunca tocaram piano ouvirmos um anónimo pianista de um bar interpretar a “Ballade pour Adeline” de Richard Clayderman é quase certo que nos deixaremos transportar num sonho onde somos grandes e reconhecidos pianistas. E quando, por sorte, ouvimos cantar e tocar ao ritmo do bater do coração e da respiração humana? O Dr. Manuel Louzã Henriques é que sabia explicar como ninguém estas coisas da magia da música que nos toca.

Um dia, na Lousã, numa festa do jornal O Trevim ouvi-o falar, informalmente, sobre as diferenças entre o fado de Lisboa e o fado de Coimbra. Foi uma lição tão clara e exemplar que bem merecia ser evocada na hora de lembrar o Dr Manuel Louzã Henriques no recente aniversário do Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra (GEFAC). Mas não por mim, e muito menos de viva voz, como sugeriu um amigo, esquecendo-se que eu sou ainda muito mais desafinado do que era o piano mudo da entrada do bar Clepsidra.

Júlio Roldão

*"As Time Goes By" de Herman Hupfeld, canção indissociável do filme "Casablanca"

06.11.2019 22h40mn

Na janela da minha sala de estar

Há noites assim. Noites sem início nem fim. Sem bebidas alcoólicas, sem discussões ideológicas em torno, por exemplo, de um filme como "O Baile dos Bombeiros" de Milos Forman, sem nada.

05.11.2019 08h02mn

No bairro do (des)Leal

No Bairro do (des)Leal mora a tristeza e a desesperança.

04.11.2019 18h14mn

Na portuense Rua de Gonçalo Cristóvão

Na portuense Rua de Gonçalo Cristóvão há uma Pérola Negra e um Jornal de Noticias. Até ver, pelo menos no que ao jornal diz respeito.