07.01.2021 08h57mn
Na fronteira do nada
Sem grande coragem,
iniciei a descida
à terra do nada.
Júlio Roldão
Sem grande coragem,
iniciei a descida
à terra do nada.
Júlio Roldão
Nasceu, é rapaz e chama-se Leo.
Como DiCaprio ou como Da Vinci.
O nosso Leonardo de Veneto.
Num caderno com quase quatro décadas, encontrei o manuscrito de uma quadra dos anos 80 - Eu queria ser ladrão // ser apanhado a roubar // ser preso nessa prisão // que dá para o teu solar. Foi escrito num exemplar de O Livro em Branco, uma edição das Publicações Europa-América para escritores, jornalistas, artistas, actores, políticos, amantes, poetas, técnicos, estudantes, desenhadores, turistas, decoradores, engenheiros, homens de negócios, viajantes, secretárias... Uma edição para oferecer e para todos aqueles que sempre desejaram escrever um livro.
A estação ferroviária mais próxima do sítio onde nasci (Hospital da Ordem do Terço) é a portuense Estação de São Bento. Esta magnífica e famosa estação de comboios, cujo átrio - aqui recriado sobre um rótulo de um vinho - é um imenso salão nobre ricamente decorado, esta estação pode ser o ponto de partida dessa viagem iniciada a 20 de Dezembro de 1953. Daqui, olhando-lhe o teto trabalhado, segui primeiro para Norte, mais no sentido do Douro do que no sentido do Minho.
Num marcador de livros que sonhava ser livro, o velho que aguarelava desenhos a lápis também escrevia cartas em papel timbrado de hotéis antigos. Vícios.
Vou pintar auto-retratos // em folhas de jornais velhos. // Já vi um assim, // do Malangatana. // Se a memória não me falha, // em folhas de "A Bola", antigas. // Amarelecidas. // Em pinto no "AltoMinho".
Júlio Roldão
Eu quero ancorar // a ver onde isto vai dar // mas em alto mar. // Não vá Belzebu tecê-las // a mim e às minhas velas. // // Eu quero ancorar // onde a minha liberdade // não se esgote na saudade // de tantas vidas passadas... // Quero vidas por passar. //