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Roldeck.

Júlio Roldão

01.01.2018 12h00mn

Nesta "janeirinha" envergonhada

Há cento e cinquenta anos, rebentou no Porto, com ramificações em Braga e em Lisboa, um movimento de contestação a uma política fiscal brutal, num quadro económico caracterizado por uma enorme dívida externa e um enorme défice das contas públicas. Esta contestação ficou conhecida por "Janeirinha" e gerou, entre outros efeitos, o aparecimento do jornal "O Primeiro de Janeiro", um dos grandes títulos do país, o primeiro jornal que li pois era o jornal que o meu pai comprava, pelo menos aos domingos - uma edição com um suplemento a cores onde publicava a tira de BD de "O Reizinho", e ainda folhetins também em banda desenhada como eram, se a memória não me falha, "O Príncipe Valente" e "O Coração de Julieta". Como eu gostaria de saber desenhar ao ponto de poder rabiscar uma novela gráfica. Bom ano para todos.

31.12.2017 12h00mn

Na lassidão dos fins de ano

Quando um ano civil começa a aproximar-se do fim, apodera-se de mim uma espécie de lassidão muito mais inquietante do que qualquer uma dessas outras lassidões em que nos deixamos ficar, quando o podemos fazer, numa cama de algodão em rama. Sem fazer ondas, entenda-se. O ano só acaba amanhã, mas eu tenho estado a datar estes apontamentos com a data do dia seguinte, à semelhança de alguns jornais internacionais de referência, embora saiba que não é por muito se madrugar que amanhecerá mais cedo. Tampouco os anos começam sempre a 1 de Janeiro ou terminam sempre a 31 de Dezembro. Os anos ditos civis sim, mas cada um de nós tem várias datas que podem corresponder a períodos de tempo que podem durar anos.

30.12.2017 12h00mn

No Museu da Minha Existência

Estou olhando aquela radiografia, da capa do Notícias, evocativa do cinquentenário da morte de Fernando Pessoa. É, de todas as capas do JN do período em que lá trabalhei como jornalista, ou seja de 1977 a 2005, a minha capa preferida. Ostenta, de alto a baixo, um desenho de Fernando Pessoa sentado numa cadeira a ler um jornal claramente de formato broadsheet, desenho que Júlio Pomar fixou a traços largos e rápidos. Na verdade, a radiografia não é uma radiografia mas sim um fotolito (o que imprimiu a capa, que foi impressa a duas cores, a preto) e eu limito-me a fingir que estou a olhar para aquela película, que na foto aparece dobrada, com o cuidado que um médico porá quando observa uma radiografia de um doente. Esta encenação, montada para a fotografia, ocorreu quando já não trabalhava no Jornal de Notícias mas ainda usava suspensórios. Não sei há quanto tempo teria saído do jornal, mas sei que o jornal ainda não tinha saído de mim. Se é que algum dia acabará por sair. O fotolito, que eu resgatei do lixo, o destino habitual dos fotolitos, está exposto, algures, numa das paredes do Museu da Minha Existência.

29.12.2017 01h06mn

Na Estação de S. Bento (Porto)

Este canhenho arranca na ferroviária Estação de S. Bento, em pleno centro da cidade do Porto, como caderno de uma viagem sem pontos de partida e sem pontos de chegada. Por curiosidade, e embora este jornal privado seja apenas um espaço de matriz jornalística - o meu espaço como jornalista português, freelancer, carteira profissional 464 -, por curiosidade, posso referir que nasci muito perto daquela estação, no Hospital da Ordem do Terço, ao lado do Teatro Nacional de S. João. Roldeck, nome que resulta da contracção de Roldão com Woyzeck, é o meu nickname desde 1972, ano em que representei, no Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra (TEUC), o papel de Woyzeck na peça homónima de Georges Buchner. E é também, a partir de agora, o nome deste canhenho onde espero partilhar textos pequenos, algumas aguarelas e algumas fotografias de minha autoria. Roldeck ponto pt.