14.05.2018 15h34mn
Num desenho feito a correr
Neste mês de Maio, a poesia, incluindo os meus versos contrafeitos, parece querer voltar à rua. Agora as paredes, também chamadas de murais, estão espalhadas pelo espaço virtual, um palco que não é tão global assim quanto todos, ou quase todos, gostariam que fosse. A dimensão da globalidade que cabe a cada um será determinada pelo algoritmo que gere o universo de cada um. É quase sempre, salvo raras excepções, uma globalidade pequenina. E será quanto baste, pelo menos no que à poesia diz respeito. É que esta é sempre escrita para aqueles - muito poucos - que dão muita importância aos pequenos traços errados.
30.04.2018 12h29mn
No Café do Adail
No Café do Adail há murais únicos com memórias da terra, como este do versátil pintor Adelino Carlos. O Café do Adail é o centro cívico do lugar de Vale Florido, freguesia do Alvorge, concelho de Ansião. Ali há um pequeno posto de correios, um mini mercado que é mais do que uma loja de conveniência e até um restaurante com refeições de qualidade confeccionadas pela Chefe Laurinda, a esposa do proprietário do café - Adail Luís -, título informal mais do que merecido para quem cozinha tão bem.
26.04.2018 00h00mn
No primeiro dia do Novo Ano de Abril
Roubo um pormenor de um anúncio à Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Riga, publicado na edição internacional de 25 de Abril de 2018 do New York Times, e transformo, digitalmente, uma impossibilidade numa possibilidade, riscando a primeira sílaba da palavra impossível. Tudo isto no meu melhor Inglês de doca.
25.04.2018 00h01mn
No 44º aniversário do 25 de Abril
Era uma vez um cravo vermelho que ficou esquecido e secou num livreto de um espectáculo de teatro onde os espectadores recebiam cravos vermelhos. Encontrado, mumificado, muitos anos depois, esse cravo renasceu colado e envernizado numa tela negra como qualquer longa noite sem liberdades nem sonhos. Numa terceira fase, foi pendurado numa parede, como obra de arte, e aí tem estado esquecido, apesar de visível. Na teoria, claro.
23.04.2018 21h37mn
Numa velha oficina de encadernação
Um livro que não é livro, um mono tipográfico, e encadernado com todos os ferros, couro e letras a ouro. Antecipa uma desejada publicação. Talvez possa ser mumificado, com gesso cola, e entrar numa obra de arte plástica, de múltiplas técnicas mistas, a que o autor chamará de biblioteca, idêntica a outras anteriores, do autor e de outros autores. Há obras de arte que são verdadeiros rascunhos.
21.04.2018 10h58mn
Naquela velha casa
[À espera de ir para o lixo]
Há um colchão velho,
ao alto no corredor,
que está como novo.
Júlio Roldão
21.abril.2018
20.04.2018 12h44mn
No quarto aniversário do Adri
Nunca quis crescer
nem ter eventos marcados
no meu calendário,
mas graças a ti,
meu adorado Adri,
neste teu aniversário,
hoje já faz quatro anos
que pela primeira vez
fizeste de mim avô
- o teu avô português.
Júlio Roldão
19.04.2018 12h00mn
No soalho de uma casa em Penafiel
Há caruncho. No soalho de uma velha casa em Penafiel há caruncho ou bicho da madeira. Mas até a madeira com caruncho pode ter encanto. São as marcas do tempo que por ali passou e que a madeira captou para sempre. Enquanto for madeira e ranger. Há tábuas de madeira que rangem a anunciar chegadas ou partidas. Ou outros movimentos da vida.
18.04.2018 15h33mn
Na memória de uma luz branca.
Queria voltar
à quietude tão doce
de um certo Verão
que fez despertar
muitas Primaveras.
Júlio Roldão, na hora e no dia assinalados.
07.04.2018 10h33mn
Na cidade de Bolonha
Também tive um sonho
- o de viver em Bolonha
um ano de Erasmus.
J.R. 07.Abril.2018.
Talvez o Verão de Bolonha seja muito quente. A cidade é deslumbrante, mas dizem que nem à sombra da grande Basílica de São Petrónio se aguenta o calor quando ele aperta em Bolonha. Um ano de Erasmus? Bastar-me-iam duas semanas numa residência artística ou, mais modestamente, numa residência literária. Descobrindo novos lugares, como a Osteria De' Poeti, na via De´ Poeti, onde entrarei se voltar a Bolonha.