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Roldeck.

Júlio Roldão

25.04.2018 00h01mn

No 44º aniversário do 25 de Abril

Era uma vez um cravo vermelho que ficou esquecido e secou num livreto de um espectáculo de teatro onde os espectadores recebiam cravos vermelhos. Encontrado, mumificado, muitos anos depois, esse cravo renasceu colado e envernizado numa tela negra como qualquer longa noite sem liberdades nem sonhos. Numa terceira fase, foi pendurado numa parede, como obra de arte, e aí tem estado esquecido, apesar de visível. Na teoria, claro.

23.04.2018 21h37mn

Numa velha oficina de encadernação

Um livro que não é livro, um mono tipográfico, e encadernado com todos os ferros, couro e letras a ouro. Antecipa uma desejada publicação. Talvez possa ser mumificado, com gesso cola, e entrar numa obra de arte plástica, de múltiplas técnicas mistas, a que o autor chamará de biblioteca, idêntica a outras anteriores, do autor e de outros autores. Há obras de arte que são verdadeiros rascunhos.

21.04.2018 10h58mn

Naquela velha casa

[À espera de ir para o lixo]

Há um colchão velho,

ao alto no corredor,

que está como novo.

Júlio Roldão

21.abril.2018

20.04.2018 12h44mn

No quarto aniversário do Adri

Nunca quis crescer
nem ter eventos marcados
no meu calendário,
mas graças a ti,
meu adorado Adri,
neste teu aniversário,
hoje já faz quatro anos
que pela primeira vez
fizeste de mim avô
- o teu avô português.

Júlio Roldão

19.04.2018 12h00mn

No soalho de uma casa em Penafiel

Há caruncho. No soalho de uma velha casa em Penafiel há caruncho ou bicho da madeira. Mas até a madeira com caruncho pode ter encanto. São as marcas do tempo que por ali passou e que a madeira captou para sempre. Enquanto for madeira e ranger. Há tábuas de madeira que rangem a anunciar chegadas ou partidas. Ou outros movimentos da vida.

18.04.2018 15h33mn

Na memória de uma luz branca.

Queria voltar
à quietude tão doce
de um certo Verão
que fez despertar
muitas Primaveras.

Júlio Roldão, na hora e no dia assinalados.

07.04.2018 10h33mn

Na cidade de Bolonha

Também tive um sonho
- o de viver em Bolonha
um ano de Erasmus.


J.R. 07.Abril.2018.
Talvez o Verão de Bolonha seja muito quente. A cidade é deslumbrante, mas dizem que nem à sombra da grande Basílica de São Petrónio se aguenta o calor quando ele aperta em Bolonha. Um ano de Erasmus? Bastar-me-iam duas semanas numa residência artística ou, mais modestamente, numa residência literária. Descobrindo novos lugares, como a Osteria De' Poeti, na via De´ Poeti, onde entrarei se voltar a Bolonha.

29.03.2018 12h50mn

Na primeira página do INYTIMES

Na primeira página do INYTIMES de hoje caiu um enorme peixe dragão vermelho apanhado na objectiva de Ore Huiying. Trata-se de um arowana caríssimo, um peixe estimação de aquário que pode atingir valores de dezenas de milhares de dólares, sem contar com preço de uma operação oftalmológica para realçar os olhos do dragão, cirurgia muito frequente nestes peixinhos. Não sei se o fotografado arowana já tem aquele olhar que o torna especial. De costas, como aparece no jornal, mais parece um galo.

29.03.2018 01h11mn

Numa carta em papel bordado

Num papel bordado, como eu nunca tinha visto, há uma palavra escrita, ou melhor, bordada, que é difícil de decifrar. Tal papel de carta e respectivo bordado tem desenas de anos. O papel, pautado, já amarelecido nunca foi utilizado. Aquele bordado foi feito para alguém. Não se trata - julgo eu - de um papel de que possa ser produzido em série assim com bordados. Alguém quis acrescentar-lhe valor mas depois não teve coragem de enviar a carta e guardou o papel bordado. Não terá querido desfazer-se de um trabalho tão delicado e raro como o que ocupa a metade superior da primeira página de uma carta de quatro páginas. Se se conseguisse decifrar a palavra bordada talvez fosse mais fácil reconstituir o romance que se esconde numa carta em papel bordado por escrever.

27.03.2018 19h44mn

Na serenidade da Sereníssima

Na serenidade // da cidade sereníssima // quanta inquietude.
Eis a vocação do que escrevemos, reescrevendo memórias, redesenhando projectos, voltando a olhar para os incertos passados e para as versões que mais gostariamos de ver consagradas. Este é o reverso da medalha de ouro da serenidade. A inquietude como critério para o que gostariamos que fosse a nossa própria história. Afinal também podemos escrever a nossa própria história, alegando que ninguém está em melhores condições para o fazer. Alegação não rigorosamente verdadeira mas plausivelmente aceitável.